TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO
“O
quadro Sísifo é uma obra feita entre 1548-49 pelo pintor
Tiziano Vecellino,que atualmente se encontra exposta no museu do prado,em
Madrid,Espanha. Ela representa o sofrimento de Sísifo, personagem
mitológico dos gregos. A lenda diz que Sísifo, filho de
Eolo, foi rei lendário de Corinto e apontado por Homero como
o mais ardiloso e sábio dos mortais .Em razão de suas
astúcias, foi condenado por plutão a cumprir um terrível
castigo: rolar montanha acima uma enorme pedra, que sempre lhe escapava
das mãos ao chegar perto do cume, obrigando-o a descer correndo
pela encosta íngreme para retomar seu trabalho repetitivo e inútil.
Com enorme esforço, é obrigado a empurrar a pedra até
o alto e vê-la rolar a cada subida, tendo de carregá-la
de novo em uma interminável tarefa. O tema de Sísifo tornou-se
símbolo dos esforços inúteis que visam alcançar
um objetivo inatingível; e do trabalho árduo em vão
e constantemente renovado. Seu castigo remete à vivência
do obsessivo: peso, atividade incessante, eterna repetição
e permanência da tarefa, ou seja, incapacidade de concluir. Retrata
também a inutilidade do esforço e o paradoxo da sensação
de obrigatoriedade associada a consciência da falta de sentido
da tarefa” (Revista Brasileira de Psiquiatria, 2001; 23, supl
II).
O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é o 4º transtorno
psiquiátrico mais freqüente, que afeta entre 1.5 a 2.5%
da população (prevalência ao longo da vida). É
um transtorno caracterizado pela presença de obsessões
e compulsões. As obsessões são pensamentos, impulsos,
ou imagens intrusivas e persistentes, e as compulsões são
comportamentos ou atos mentais repetitivos e estereotipados, geralmente
em resposta a uma obsessão, como, por exemplo, lavar as mãos
ou contar. O paciente com TOC tipicamente reconhece que os sintomas
são excessivos ou irracionais e mesmo assim, não consegue
resistir a eles. Em geral o TOC tem início na adolescência
ou no começo da vida adulta, sua prevalência entre homens
e mulheres é semelhante, mas se o início for na infância,
o TOC é mais comum em meninos.
Atualmente o TOC é classificado como um transtorno de ansiedade
pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais
(DSM-IV-TR,2002), e como um transtorno neurótico pela Classificação
de Transtornos Mentais e de Comportamento (CID-10), da Organização
Mundial de Saúde (OMS,1993). De acordo com o DSM-IV-TR (2002)
as características essenciais do TOC são obsessões
ou compulsões recorrentes que consomem mais de 1 hora por dia,
que causam um prejuízo significativo na vida do indivíduo
e que são reconhecidas como excessivas ou irracionais.
O transtorno obsessivo-compulsivo causa um prejuízo significativo
na vida das pessoas e seus familiares, muitas vezes chegando a incapacitar
as atividades de rotina, trabalho e relacionamentos.
Existem quatro grandes categorias principais de obsessões e
compulsões: as compulsões de limpeza, as de verificação,
as obsessões puras (pensamentos disruptivos, repetitivos) e a
lentidão obsessiva primária (necessidade de externar com
precisão tudo que é feito, o que toma um tempo considerável).
O colecionismo é um outro tipo de compulsão que atualmente
vem recebendo cada vez mais atenção.
A terapia cognitivo comportamental é o tipo de terapia mais
indicado para tratar o TOC, cerca de 70% dos que realizam TCC podem
obter redução satisfatória ou a eliminação
completa dos sintomas. Esse tipo de terapia trabalha com enfrentamento
gradual dos medos através de exposição e prevenção
de rituais (EPR), essa é a técnica mais utilizada no tratamento.
Nesse trabalho o terapeuta auxilia a pessoa e família, em um
primeiro momento, a entender o que acontece no transtorno: a realização
dos rituais gera mais rituais, ou seja, mesmo o ritual funcionando para
abaixar a ansiedade, isso ocorre em curto prazo e tende a uma repetição.
Em um segundo momento, terapeuta e cliente organizam uma hierarquia,
por escrito, dos rituais e pensamentos associados, graduando do menos
incômodo para o mais incômodo. A terapia de exposição
consiste no paciente gradualmente se expor a essas situações
da hierarquia e a prevenção de resposta, no paciente não
realizar os rituais. Para que o paciente consiga realizar a EPR é
feito um preparo psicológico anterior, com técnicas de
relaxamento, reestruturação de pensamentos e outras. As
pessoas com esse transtorno sofrem muito e a terapia produz uma melhora
significativa na qualidade de vida.
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